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Críticas por Pablo Villaça

Datas de Estreia: Nota:
Brasil Exterior Crítico Usuários
18/06/2004 19/05/2004 4 / 5 4 / 5
Distribuidora
Duração do filme
93 minuto(s)

Shrek 2
Shrek 2

Dirigido por Andrew Adamson, Kelly Asbury e Conrad Vernon. Com as vozes de Mike Myers, Eddie Murphy, Cameron Diaz, Antonio Banderas, John Cleese, Julie Andrews, Rupert Everett, Jennifer Saunders, Larry King, Joan Rivers.

2001 foi um ótimo ano para a animação: além do espetáculo visual proporcionado por Final Fantasy, tivemos o inteligente Waking Life e o impecável Monstros S.A.. Ainda assim, não há como negar: aquele foi mesmo o ano de Shrek, que, com sua técnica impressionante, seus divertidos personagens e seu roteiro repleto de um humor ácido e eficiente, tornou-se o primeiro vencedor do Oscar criado especialmente para o gênero. Na realidade, o filme era tão bom que, no Brasil, conseguiu até mesmo sobreviver à hedionda dublagem de Bussunda, com suas pausas incorretas e inflexões que destruíam a graça do ogro (já Mário Jorge, `substituto` nacional de Eddie Murphy, brilhou como o Burro).


Pois Shrek 2 não decepciona: contando uma história engraçada e interessante, o longa continua a tratar as fábulas com irreverência e, assim, não é surpresa quando descobrimos que o Príncipe Encantado usa uma ridícula redinha de cabelos sob seu elmo. Por outro lado, duvido que alguém consiga antecipar o `segredo` de Pinóquio, que, além de inesperado, representa o melhor momento da narrativa, que gira em torno dos esforços feitos por Shrek para se adaptar à família da Princesa Fiona. Sentindo-se culpado pela reação desfavorável provocada por sua aparência `ogrotesca` (não resisti), ele decide procurar a Fada-madrinha a fim de pedir ajuda – e, é claro, conta com o auxílio de seu amigo Burro e de um novo personagem, o Gato-de-Botas.

Dublado por Eddie Murphy, o realmente falante Burro Falante continua a testar a paciência de todos com sua alegria interminável e sua total incapacidade de entender quando não é bem-vindo. Além disso, o ciúme provocado pela chegada de um rival pela afeição de Shrek rende ótimas piadas que se tornam ainda melhores graças à dinâmica criada pelo `duelo` de vozes entre Murphy e Antonio Banderas, que confere um ar de canalhice sensacional ao Gato-de-Botas (e a animação faz jus ao trabalho do ator, pois o gatinho é cheio de truques – como, por exemplo, fazer uma carinha adorável capaz de comover seus adversários). E, enquanto John Cleese e Jennifer Saunder ganham boas chances de brincar com seus personagens (o Rei e a Fada-madrinha, respectivamente), Mike Myers, Cameron Diaz e Julie Andrews pouco podem fazer, já que Shrek, Fiona e a Rainha não são engraçados como poderiam (ou deveriam, no caso de Shrek).

Não deixando nada a desejar com relação ao original, a animação de Shrek 2 é fabulosa: além de tornar os movimentos dos personagens ainda mais fluidos (algo que faltava, por exemplo, na seqüência protagonizada por Robin Hood no primeiro filme), os artistas da PDI (responsáveis também pelo genial Formiguinhaz) demonstram um cuidado redobrado com as expressões faciais de seu elenco digital e, é claro, com a fotografia, que combina sombras e luzes de maneira impecável. Em contrapartida, a continuação deixa a desejar, sim, com relação à sua trilha sonora, tanto a instrumental (que desaponta principalmente quando comparada aos magníficos temas de seu antecessor) quanto às músicas selecionadas para `rechear` a narrativa (as ótimas All Star, I’m a Believer e Hallelujah deram lugar a composições nada evocativas como Livin’ La Vida Loca, Ever Fallen in Love e Accidentally in Love). Para piorar, enquanto Shrek satirizava os números musicais da Disney através da insistência do Burro em cantar, desta vez os diretores se entregam às convenções e incluem duas músicas interpretadas pela Fada-madrinha.

Outra decepção diz respeito à montagem, que não repete as elegantes transições vistas no original e, com isso, cai no lugar-comum. E a inclusão de inúmeras referências a outras produções não representa nada mais do que uma distração, um jogo: o espectador pode até dar tapinhas nas próprias costas por identificar as citações visuais feitas a O Homem-Aranha, A Sociedade do Anel, A um Passo da Eternidade, Flashdance, Alien, O Pecado Mora ao Lado, Susie e os Baker Boys, This is Spinal Tap e Os Caça-Fantasmas, entre outros, mas o fato é que estas referências nada acrescentam ao filme – nem mesmo em humor, já que não são sátiras, mas simples alusões. Na realidade, apenas três destas brincadeiras funcionam do ponto de vista narrativo: aquelas que envolvem A Pequena Sereia e Missão: Impossível, e, é claro, a hilária seqüência que, no melhor estilo Cops, mostra a prisão de três personagens.

Mas talvez eu esteja sendo exigente demais: poucas produções recentes sobreviveriam a uma comparação com Shrek (embora, neste caso, seja inevitável fazer isto). E, a bem da verdade, em um ano irregular como 2004, poucas produções sobreviveriam tampouco a uma comparação com Shrek 2.

Observação: Não deixe de conferir a cena adicional que surge durante os créditos finais e na qual um personagem recebe uma notícia que certamente desempenhará papel importante no já confirmado Shrek 3.

Observação 2 (em 06/12/04): Finalmente assisti à versão dublada, em DVD. O responsável pela tradução/adaptação deveria ser sumariamente demitido (ver também Os Incríveis). Além da incapacidade demonstrada ao dirigir o péssimo Bussunda (que está ainda pior do que no original), o sujeito ainda teve a horrenda idéia de incluir expressões como `Fala sério!` e `Ninguém merece!` no filme. Como diria a Rainha de Copas, `Cortem-lhe a cabeça!`.

18 de Junho de 2004

Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.

 

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