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Jovens Mães

★★★☆☆3/5 estrelas
12 min

Dirigido e roteirizado por Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne. Com: Lucie Laruelle, Babette Verbeek, Elsa Houben, Janaïna Halloy Fokan, Samia Hilmi, Christelle Cornil, India Hair, Claire Bodson, Joely Mbundu.

Ao longo de sua longa e bela carreira, os irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne se firmaram como cineastas com sensibilidade admirável e cujas obras trazem uma essência profundamente humana – e mesmo que seus filmes mais recentes tenham alcançado resultados apenas medianos, sua filmografia se manteve fiel ao compromisso com personagens à margem da sociedade, uma característica claramente presente em Jovens Mães, que além de tudo representa um retorno à boa forma por parte dos veteranos.

Desta vez, os Dardenne voltam seu olhar para a situação de um grupo de adolescentes grávidas que vivem em um abrigo para jovens em situação de carência - seja esta financeira, familiar, psicológica ou emocional (ou, como frequentemente acontece, todas ao mesmo tempo). Acompanhando cinco jovens, cada uma com sua própria história de obstáculos, o roteiro escrito pelos cineastas nos apresenta a uma garota que vem de um ambiente familiar marcado por violência física, outra que tem um passado de dependência química e assim por diante, alternando entre as personagens vividas com talento por atrizes estreantes.

Despreparadas emocional e psicologicamente para tamanha responsabilidade, as garotas enfrentam uma realidade que se torna ainda mais complexa em função da ausência dos pais de seus filhos - apenas uma delas conta com o companheiro, ilustrando como, enquanto a mulher fica biologicamente ligada à maternidade e socialmente pressionada a assumir este papel como inevitável, muitos homens simplesmente abandonam a situação, negando a paternidade ou se afastando. Além disso, a imaturidade resultante da pouca idade se torna patente em vários momentos importantes, como na cena em que uma jovem, triste porque o namorado não lhe dá atenção, se irrita quando uma conselheira do abrigo a alerta de que seu bebê está com fome, respondendo impulsivamente que ela também está - sinal claro de uma percepção juvenil que ainda não distingue bem entre as necessidades de uma mãe e de uma criança.

Esta incapacidade de diferenciação é resultado de uma das tragédias da gravidez adolescente, que traz um fim precoce da infância e adolescência ao impor responsabilidades para as quais estas jovens não estão preparadas. Enquanto isso, a questão socioeconômica piora este quadro, já que as gestantes retratadas aqui se encontram em situação de extrema vulnerabilidade material, sendo tocante, por exemplo, perceber como uma delas chega a nutrir como maior sonho a possibilidade de se tornar inspetora ferroviária - uma aspiração que mostra como desde cedo são condicionadas a ter expectativas limitadas, já que cresceram em um contexto que restringe suas possibilidades.

Dito isso, a diversidade de trajetórias e perspectivas entre as personagens configura um elemento narrativo significativo: algumas são completamente desprovidas de suporte familiar ou foram expulsas de seus lares, enquanto outras ainda mantêm algum vínculo com suas famílias, embora insuficiente para dispensar o acolhimento institucional. Igualmente variadas são suas intenções quanto ao futuro: algumas estão determinadas a criar seus filhos, ao passo que outras optam pela adoção - e o longa acertadamente se abstém de julgamentos morais sobre qualquer destas escolhas, já que as histórias das jovens trazem cicatrizes que muitas vezes as justificam. Uma das adolescentes, por exemplo, busca contato com a mãe biológica que a abandonou, procurando compreender as motivações por trás da decisão e examinar se seus próprios sentimentos em relação à gravidez e ao recém-nascido espelham aqueles experimentados por sua genitora, numa busca que revela o temor de reproduzir involuntariamente o ciclo de abandono que marcou sua própria trajetória.

Com uma abordagem estética que privilegia a proximidade física da câmera em relação aos rostos das personagens, numa estratégia que visa estabelecer uma conexão emocional direta entre o espectador e as garotas, Jovens Mães permite que façamos uma observação minuciosa de cada nuance expressiva, cada hesitação no olhar, cada manifestação de dúvida, medo, frustração ou alegria. Com isso, passamos a conhecer cada uma das gestantes, constatando as diferenças de personalidade e maturidade entre estas - e é revelador perceber como uma das moças, que é apresentada como tendo maior "instinto maternal" por sempre se esforçar para cuidar das companheiras do melhor modo possível, demonstra firmeza em sua decisão de entregar o próprio bebê para adoção por compreender que esta é a melhor opção para a criança naquelas circunstâncias.

Especialmente comovente nos momentos em que retrata gestos de generosidade - como na cena em que uma jovem, percebendo a hesitação da irmã em verbalizar um pedido, antecipa-se com um abraço e com a resposta à pergunta não feita, poupando-a do constrangimento que está experimentando - Jovens Mães se beneficia também de momentos de autenticidade não planejada, como na sequência final envolvendo a interação entre uma personagem e um bebê cujo sorriso espontâneo ocorre precisamente no momento de maior impacto dramático.

Uma coincidência que comprova como, a esta altura, até o universo conspira a favor dos fantásticos irmãos Dardenne.

Texto originalmente publicado como parte da cobertura do Festival de Cannes 2025

23 de Maio de 2025

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Pablo Villaça
Avaliação do CríticoPablo Villaça
3.0
★★★☆☆

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