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Velozes e Furiosos 8

★★★☆☆3/5 estrelas
12 min

Dirigido por F. Gary Gray. Roteiro de Chris Morgan. Com: Vin Diesel, Dwayne Johnson, Michelle Rodriguez, Tyrese Gibson, Ludacris, Scott Eastwood, Jason Statham, Nathalie Emmanuel, Elsa Pataky, Luke Evans, Kristofer Hivju, Kurt Russell, Helen Mirren e Charlize Theron.

Como os heróis da franquia Velozes & Furiosos foram de ladrões de caminhões a superagentes responsáveis por evitar a 3a. Guerra Mundial e um holocausto nuclear é um mistério que nem mesmo vendo os oito filmes da série somos capazes de esclarecer. Quem anteciparia, assistindo às corridas de rua do original, que 16 anos depois ainda estaríamos acompanhando as aventuras daqueles personagens ao redor do planeta?

Pois o fato é que estamos e que algo surpreendente aconteceu ao longo desta década e meia: a partir do quinto capítulo (que segue como o melhor), os responsáveis pela “saga” protagonizada por Dominic Toretto (Diesel) descobriram o tom mais apropriado para estas histórias, abraçando o absurdo e o novelesco com a mais pura convicção. Assim, tivemos personagens ressuscitados, traições, casos de amnésia, irmãos vingativos, vilões que se tornaram heróis e muitos e muitos diálogos que estabeleceram o roteirista Chris Morgan, que entrou no projeto em Desafio em Tóquio e jamais saiu, como uma espécie de “autor” cujas marcas registradas são a idiotice contagiante (como escrevi ao falar de Velozes 6) e a capacidade de conceber perseguições cada vez mais ridículas e, consequentemente, divertidas.

Claro que algumas coisas permaneceram idênticas: a recorrência de planos-detalhe que se concentram nas bundas de mulheres vestindo shortinhos mínimos, imagens de marmanjos babando em cima dos motores expostos de carros com os capôs abertos (o mais puro car porn), muitas encaradas entre motoristas rivais durante disputas em altíssima velocidade e, evidentemente, inserts de marchas sendo trocadas, de pés mergulhando no acelerador e de ponteiros de velocímetros disparando enquanto o modo “turbo” é acionado. Porém, se antes estes elementos eram a essência da série, agora parecem incluídos apenas como forma de evitar que os fãs saiam decepcionados, já que a lógica é impactar pela magnitude cada vez maior da ação: “No último, tínhamos carros saltando de um prédio a outro, então agora... que tal centenas de veículos disparados por Nova York? E por que não um tanque? E já que há um tanque, por que não um submarino?”.

Rodada em locações que permitem que cada sequência se torne única de algum modo (os planos aéreos de Havana, neste oitavo capítulo, são deslumbrantes), a franquia vem se tornando cada vez mais impressionante em seus aspectos técnicos – e aqui, por exemplo, a fotografia de Stephen F. Windon é infinitamente mais bela do que tinha direito de ser em uma produção mais preocupada com capotagens e explosões (especialmente em suas lindas contraluzes e nas cores intensas e quentes que trazem calor até a uma paisagem gelada). Por outro lado, o óbvio excesso de ramping (mudança no frame rate durante um plano, criando momentaneamente o efeito de câmera lenta, por exemplo) acaba enfraquecendo o impacto que a técnica busca – ressaltar pontos específicos da ação -, ao passo que o recurso de interromper a trilha depois de um crescendo a fim de salientar a força das explosões já virou clichê há muito tempo.

Não que o filme tenha medo de clichês, pois não tem: em certo momento, um dos personagens chega a apontar como certa situação representa um chavão. Da mesma forma, quando alguém apresenta uma missão para o agente Luke Hobbs (Johnson, sempre um poço de carisma), é quase possível ouvir os realizadores rindo de si mesmos enquanto as instruções vêm acompanhadas do inevitável aviso de que “se (ele) for capturado, negaremos qualquer envolvimento”. Aliás, o roteiro e o elenco abraçam cada fala, por mais tola ou batida que seja – e notem, por exemplo, a pausa dramática de Johnson antes de dizer “Dominic Toretto just went rogue” ou o excesso proposital com que um outro personagem reage a uma manobra do herói: “Impossível!”.

Ainda assim, há instantes nos quais estas obviedades prejudicam em vez de divertir: quando, no primeiro ato, Letty (Rodriguez) pergunta se o namorado não tem vontade de ser pai, sabemos imediatamente para onde a história vai caminhar e inferimos o destino de outra personagem. Além disso, o filme traz diversas piadas que antecipamos com tanta facilidade que sua eficácia se perde consideravelmente, como ao vermos Hobbs fazendo um discurso de incentivo a um grupo que não vemos ou ao ouvirmos Little Nobody (Scott Eastwood, filho de Clint) pressionando o agente.

Bem-sucedida ao ponto de ser capaz de atrair nomes cada vez maiores para suas continuações, a série Velozes e Furiosos aqui chega a se dar ao luxo de incluir Helen Mirren numa quase ponta (bem divertida, por sinal) e de trazer Charlize Theron como uma vilã que só não soa verdadeiramente ameaçadora por sabermos como seus planos são disparatados e servem apenas como desculpa para que os heróis possam saltar de um continente a outro.

Criando sequências que só poderiam ser descritas como “Guerra Mundial Z com carros no lugar de zumbis” e “um carro-Wolverine sendo atingido por vários arpões”, Velozes e Furiosos 8 é mais longo do que deveria (erro comum na série), tem personagens em excesso (Kurt Russell só retorna porque é... bom, Kurt Russell, então não vou reclamar) e não entende que certas piadas já se desgastaram ao longo dos anos (como as brigas entre Ludacris e Tyrese Gibson) – e, no entanto, quando nos encontramos muito próximos do tédio, subitamente nos vemos surpresos e acompanhando tanques e submarinos disputando corrida num lago congelado enquanto uma lamborghini laranja é arrastada por um cabo sob a água.

E nem cheguei a falar do bebê.

12 de Abril de 2017

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Pablo Villaça
Avaliação do CríticoPablo Villaça
3.0
★★★☆☆

Uma série que melhorou consideravelmente depois que abraçou a própria estupidez.

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Avaliações dos Usuários

charles
charles11 de mai. de 2017

Pablo, deixa eu me aproveitar dessa critica pra te fazer uma indagação: Eu consegui perceber claramente as mudanças esteticas nos filmes de fantasias (e ate de outros estilos) depois do primeiro Senhor do Anéis (monstros eram sempre os ORCS, só um exemplo) isso é muito claro pra mim, assim como o primeiro MAd Max (anos 80) causou em seus sucessores. Quais filmes mais modernos você acha que podem causar na industria? Achei que depois do Deadpool vi algumas semelhanças nas cameras lentas... e outros detalhes... você acha possível??? achou inovador o Deadpool? abraço

charles
charles11 de mai. de 2017

Eu nem vou ver o filme... mas a expressão "CAR PORN foi a melhor que li nos ultimos anos...kkkkkk...p.s. gosto de ver os shortinhos em filmes........ desde os primordios leia-se: "os gatões original dos anos 80"... eu tinha excelentes sonhos com a "prima" dos dukes e adorava a buzina do avô deles... kkkk isso existe desde que mundo é mundo

Gabriel Antonio Clovier Santana
Gabriel Antonio Clovier Santana27 de abr. de 2017

É difícil escrever uma critica desse filme por a unica coisa que ele quer passar é um divertimento que vc ira esquecer no outro dia, mas você conseguiu abordar até os detalhes minimamente significativos, parabéns Villaça vc é o cara!

Igor
Igor 22 de abr. de 2017

Muito boa a crítica, como sempre. Interessante como vc e o Marcio Sallem escrevem bem parecido. Não entenda como uma crítica, mas um elogio. Acho os dois os melhores críticos atualmente. Sobre o filme, são mais de duas horas sem precisar pensar, só assistindo os absurdos. Logicamente, não deixa de ser divertido. Mas no fim, pra mim, o saldo foi positivo. P.S. A cena do bebê foi boa, pô! rs

dsffsgdsfg
dsffsgdsfg13 de abr. de 2017

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