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Críticas por Pablo Villaça

Datas de Estreia: Nota:
Brasil Exterior Crítico Usuários
01/01/1970 01/01/1970 3 / 5 / 5
Distribuidora

O Homem que Amava Yngve
Mannen som elsket Yngve

Dirigido por Stian Kristiansen. Com: Rolf Kristian Larsen, Arthur Berning, Ida Elise Broch, Ole Christoffer Ertvåg, Trine Wiggen, Knut Sverdrup Kleppestø.

O Homem que Amava Yngve é uma comédia romântica adolescente norueguesa que, apesar de poder ser assim rotulada com facilidade, consegue driblar muitas convenções do gênero e estabelecer-se como uma obra sensível e divertida. Há, claros, os problemas habituais de longas que buscam se encaixar em gêneros comerciais específicos, mas o roteiro de Tore Renberg (baseado em seu próprio livro) consegue compensá-los ao demonstrar carinho e compreensão pelos personagens e seus dilemas.

Ambientado sabe-se lá por que em 1989, na Noruega do período que viu a queda do muro de Berlim, o filme acompanha o estudante Jarle Klepp (Larsen), vocalista de uma banda e namorado de uma garota bonita que o apóia incondicionalmente. É quando Yngve (Ertvåg), um novo aluno, entra em sala de aula e algo imediatamente muda em Jarle, que se descobre apaixonado pelo rapaz. Enquanto tenta conciliar os ensaios para um show, o namoro com Cathrine (Broch) e os pais divorciados, Jarle procura compreender os próprios sentimentos e decidir o que fazer a respeito destes.

Bem-sucedido na tarefa de criar personagens multidimensionais e carismáticos, o longa é também hábil ao desenvolver a dinâmica entre estes, criando momentos genuinamente divertidos e reveladores. Além disso, é interessante observar que Jarle é retratado como um adolescente que provavelmente pela primeira vez na vida constata a possibilidade de se apaixonar e de se envolver com alguém do mesmo sexo, descobrindo-se naturalmente atordoado, inseguro e confuso diante desta percepção – uma situação que se torna ainda mais complexa em função da afeição verdadeira que sente pela namorada. Neste aspecto, aliás, o jovem Rolf Kristian Larsen merece elogios por conseguir retratar sentimentos tão contraditórios sem jamais apelar para o exagero, surgindo como um indivíduo sempre autêntico. De maneira similar, Ole Christoffer Ertvåg, como Yngve, cria um rapaz com a clara tendência de reagir com excessiva sensibilidade a tudo à sua volta, mas conseguindo, ao mesmo tempo, manter o público na dúvida quanto à sua orientação sexual. Fechando o elenco, Arthur Berning se estabelece como o grande achado cômico da produção ao transformar seu Helge Ombo no mais divertido integrante da Mathias Rust Band.

Mas O Homem que Amava Yngve também é prejudicado por sua parcela de equívocos, a começar pela quebra da quarta parede no início da projeção, quando Jarle se apresenta como protagonista da história e explica que esta será ambientada no final da década de 80 – um recurso narrativo descartável que, inclusive, nem volta a ser utilizado pelo filme. Aliás, a própria decisão de ancorar a história naquele período histórico revela-se gratuita, já que, além de símbolo óbvio representado pelas imensas mudanças provocadas pela queda do muro, esta é uma opção que, mesmo atraindo muita atenção para si mesma, pouco contribui tematicamente para a produção. Igualmente dispensável, diga-se de passagem, é o tempo dedicado aos pais do protagonista, que não servem nem mesmo no desenvolvimento do personagem principal.

Contando com uma bela trilha incidental, o longa eventualmente dá uma guinada em direção ao drama quando uma canção composta por Jarle é tocada numa festa da escola – e a partir daí o filme flerta com o melodrama e se enfraquece visivelmente, culminando num desfecho tolo e decepcionante. Mas ao menos a jornada até este anticlímax é bastante agradável.

30 de Outubro de 2010

Observação: esta crítica foi originalmente publicada como parte da cobertura da Mostra Internacional de Cinema de SP 2010.

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Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.

 

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