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Críticas por Pablo Villaça

Datas de Estreia: Nota:
Brasil Exterior Crítico Usuários
05/03/1999 13/10/1998 3 / 5 / 5
Distribuidora
Duração do filme
124 minuto(s)

Elizabeth
Elizabeth

Dirigido por Shekhar Kapur. Com: Cate Blanchett, Geoffrey Rush, Joseph Fiennes, Richard Attenborough, Christopher Eccleston, James Frain, Kathy Burke.

O Cinema é uma ótima forma de ensinar (e aprender) História. Ao assistir este Elizabeth, reconheci diversos personagens que me haviam sido apresentados em vários outros filmes, como Ana dos Mil Dias, Mary Stuart, Rainha da Escócia e A Rainha Margot - figuras não tão discutidas nas escolas, como, por exemplo, o Duque de Anjou e a própria Mary Stuart. No entanto, apesar de ser mais uma interessante aula sobre o período Elizabetano, este filme falha em diversos outros quesitos, como fluência e clareza.

Dirigido por Shekhar Kapur, o filme gira em torno dos primeiros anos do Reinado de Elizabeth, a `Rainha Virgem`, filha do Rei Henrique VIII com Ana Bolena - desde sua ascensão ao trono da Inglaterra até a consolidação de seu poder através da perseguição a seus inimigos mais ferrenhos, que a acusavam de trair a fé católica.

Apesar de acompanhar os momentos mais dramáticos da luta de Elizabeth para ser reconhecida como soberana, o roteiro escrito por Michael Hirst peca, justamente, pela frieza ao narrar tais acontecimentos. À título de comparação, vale lembrar que A Rainha Margot (baseado no livro homônimo do estupendo Alexandre Dumas) também abordava as traições envolvidas no jogo de poder no qual os monarcas europeus sempre se mostraram tão habilidosos. Porém, enquanto o tom de A Rainha Margot exalava uma atmosfera de cinismo, suspense e paixões secretas, Elizabeth é apenas um filme sóbrio que não extrai dos acontecimentos que narra os emocionantes ardis que cercam a determinada Elizabeth.

Contribui para isso a direção de Kapur. É verdade que o diretor surpreende o espectador em algumas seqüências, como aquela que acompanha o anúncio da morte de Mary Tudor e a ascensão de Elizabeth ao trono - neste instante, Kapur `ofusca` a câmera com uma fonte de luz durante a entrega do `anel real` à personagem de Cate Blanchett, numa interessante metáfora do brilho ao qual Elizabeth agora pertence (e, ao mesmo tempo, dos cegantes bastidores do poder no qual ela acaba de entrar). No entanto, em outros momentos o diretor realiza escolhas completamente inadequadas ao que se propõe a ser este drama histórico. A cena em que a Rainha `ensaia` um apelo aos Bispos ingleses é um exemplo disso. Já em outros momentos (mais raros, infelizmente) os enquadramentos de Kapur são primorosos, como na seqüência que dá início à trama, onde vemos três `hereges` sendo queimados vivos.

Cate Blanchett, como Elizabeth, realiza um excelente trabalho, coeso e tocante - nada, porém, que justifique uma premiação como o Oscar, por exemplo. A indicação é mais do que o suficiente para recompensar um trabalho bem realizado, mas sem nada de extraordinário. Enquanto isso, Geoffrey Rush cria um Sir Walsingham misterioso: um tipo introspectivo, reflexivo, porém ameaçador e digno de crédito. Todavia, também neste caso a indicação é mais do que o suficiente. O restante do elenco realiza um trabalho competente, destacando-se, é claro, o sempre prodigioso Sir Richard Attenborouh.

Tecnicamente, poucas ressalvas podem ser feitas a este filme: fotografia, maquiagem e figurinos são estupendos, especialmente estes últimos. A edição, por sua vez, carece de ritmo, o que compromete um pouco o filme: depois de um começo promissor, instala-se a sensação de que pouca coisa acontece na história, o que não é absolutamente verdade.

Elizabeth é, em suma, um belo filme de época que aborda um período interessantíssimo da história da nobreza européia. Infelizmente, falta ao filme um pouco do brilho que cercava os principais personagens e acontecimentos da época que retrata. É como um livro de História - mas sem a didática que tornou admiráveis outros exemplares afins produzidos pelo Cinema.
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17 de Março de 1999

Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.

 

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