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Críticas por Pablo Villaça

Datas de Estreia: Nota:
Brasil Exterior Crítico Usuários
01/12/1995 01/12/1995 3 / 5 5 / 5
Distribuidora

Coisas Para Se Fazer Em Denver Quando Você Está Morto
Things to do in Denver When You’re Dead

Dirigido por Gary Fleder. Com Andy Garcia, William Forsythe, Christopher Lloyd, Treat Williams, Jack Warden, Christopher Walken e Gabrielle Anwar.

Jimmy, o Santo, (Garcia) costumava trabalhar para um importante bandidão de Denver, o conhecido Homem do Plano (Walken). Seu apelido, `Santo`, é em função de Jimmy ter estudado em um seminário. Mas não é só isso. Logo descobrimos que Jimmy tem um coração de ouro, estando sempre disposto a ajudar os mais necessitados, como uma prostituta que insiste em ser mãe de seu filho. Ele já não trabalha mais para o Homem do Plano. Ele agora tem um negócio próprio: grava vídeos de pessoas que estão prestes a morrer enquanto estas dão conselhos para os parentes que irão deixar para trás. `Só porque elas já morreram não quer dizer que elas não podem te aconselhar`, diz o anúncio bolado por um amigo de Jimmy.

Só que as coisas não vão bem para o rapaz: se não pagar uma certa dívida que tem, perderá todo o equipamento e, conseqüentemente, o negócio. Mas Jimmy é uma pessoa de bem com a vida, e não se deixa afetar muito pela notícia. Na mesma noite conhece uma bela garota em uma boate e, depois de um pouco de conversa, a convida para jantar.

Mas as coisas começam a se complicar quando Jimmy é chamado à presença do Homem do Plano e é encarregado de um `servicinho`, pelo qual receberá 50 mil dólares: seqüestrar o novo namorado da ex-namorada do filho do ex-chefe antes que ele peça a mão da garota em casamento, frustrando enormemente Bernard, o tal filho do Homem do Plano. Entendeu? Não? Não tem importância. Esta missão é, evidentemente, o fraco pretexto que o roteirista arranjou para que Jimmy reunisse quatro antigos colegas da vida de banditismo a fim de cumprir o trabalho e, depois que um deles arruinasse tudo, passasse a ser perseguido pelos capangas do chefão. Os cinco amigos são, então, condenados a uma `morte lenta`. O carrasco é um tal de Mr. Shhhh, um assassino profissional frio e competente que sai caçando um por um.

`Morte lenta` é a forma mais cruel e dolorosa de punição: a vítima é baleada (ou esfaqueada) de maneira tal que não morre imediatamente; ao contrário, fica agonizando por cerca de 15 minutos antes do fim chegar. Quem explica isso é o personagem de Jack Warden, Joe Heff, que fica sentado em uma lanchonete servindo de glossário, ao que parece. Sua função é preencher os vazios do roteiro, ligando pontos às vezes desconexos da história e traduzindo algumas gírias do submundo. Fora isso, é totalmente dispensável. O próprio Warden, ator veterano e extremamente competente, parece estar desconfortável no papel.

O roteiro tem seus altos e baixos. Os altos resultam nos momentos mais divertidos do filme, como a mania que um dos cinco amigos, interpretado por Treat Williams (Hair), tem: usar cadáveres de `clientes` da funerária em que trabalha como sacos de pancada. Já os baixos resultam nos momentos mais infelizes e repletos de clichê. Por exemplo: como Jimmy é capaz de deixar o personagem de Treat Williams desempenhar um papel mais importante durante a execução do plano quando é óbvio que este colocará tudo a perder? Isso sem mencionar que a tal garota que Jimmy convida para jantar é outro personagem totalmente dispensável. Ela só existe para que os bandidos a usem como meio de ameaçar o herói.

Coisas Para Se Fazer em Denver..., no entanto, é um filme divertido de se assistir. O humor mórbido do roteiro lembra, em certos momentos, Pulp Fiction. Aliás, os personagens também me pareceram dignos de Tarantino (um deles é apelidado de `Pedaços` já que, em função da lepra, seus dedos tem o péssimo hábito de se separarem do resto do corpo). Já o final, que evidentemente não ouso revelar, soa um pouco forçado demais - não deixando, contudo, de ter um certo interesse.

As intepretações e a trilha sonora são atrações à parte. Walken está fabuloso como o gângster paraplégico (o que o deixa ainda mais ameaçador), e Williams, divertidíssimo como o perturbado Critical Bill. Aliás, é dele a melhor passagem do filme. Depois de balear um dos bandidões, ele grita para a vítima, alucinado :

- Eu sou Godzilla... E você, o Japão!

Uma bobagem. Mas uma bobagem divertida, como o próprio filme.
``

10 de Janeiro de 1997

Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.

 

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