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Críticas por Pablo Villaça

Datas de Estreia: Nota:
Brasil Exterior Crítico Usuários
07/07/2005 29/06/2005 1 / 5 3 / 5
Distribuidora

Direção

Tim Story

Elenco

Ioan Gruffudd , Jessica Alba , Michael Chiklis , Chris Evans , Julian McMahon , Kerry Washington , Laurie Holden

Roteiro

Mark Frost

Produção

Avi Arad

Fotografia

Oliver Wood

Música

John Ottman

Montagem

William Hoy

Design de Produção

Bill Boes

Figurino

Jose Fernandez

Direção de Arte

Shepherd Frankel

Quarteto Fantástico (I)
Fantastic Four

Dirigido por Tim Story. Com: Ioan Gruffud, Jessica Alba, Michael Chiklis, Chris Evans, Julian McMahon, Kerry Washington, Laurie Holden.

 


É no mínimo uma grande ironia que o cineasta Tim Story tenha este sobrenome, já que, considerando-se este Quarteto Fantástico e seu trabalho anterior (Táxi), o sujeito não possui talento algum para contar histórias. Esteticamente falando, então, seu talento é nulo: basta observar a direção incrivelmente deselegante que exibe nesta produção, criando cortes absurdos, fazendo mudanças abruptas no tamanho (não na duração, bem entendido) dos planos, empregando zooms pavorosos, concebendo quadros simplesmente ridículos (como o close fechadíssimo nos óculos escuros de Johnny Storm) e até mesmo cometendo o mais básico dos erros ao `pular o eixo` em diversas ocasiões. Se eu fosse reitor da faculdade de Cinema na qual Tim Story se formou, eu daria graças pelo provão não existir nos Estados Unidos.

Inspirado nos personagens concebidos por Jack Kirby e Stan Lee (que faz sua ponta habitual no filme), o roteiro de Michael France, Mike Frost e Simon Kinberg (este último, não creditado) tem início quando o brilhante cientista Reed Richards e seu melhor amigo Ben Grimm se preparam para apresentar uma proposta para o bilionário Victor Von Doom, que imediatamente se identifica como o vilão do filme ao soltar insistentes risadinhas sarcásticas ao mencionar a falência do futuro Sr. Fantástico. Aliás, quaisquer dúvidas sobre a vilania absoluta do personagem seriam descartadas graças à atuação caricatural de Julian McMahon e ao fato de que, no terceiro ato, Doom aparentemente se transforma no Imperador Darth Sidious de Star Wars, com direito a capuz e tudo mais.

Ao contrário de algumas das mais recentes adaptações dos quadrinhos, que empregavam o humor como mera ferramenta narrativa, Quarteto Fantástico tenta provocar o riso da primeira à última cena, falhando consistentemente em seu objetivo: as `tiradas` de Johnny, em particular, acabam tornando-se irritantes em vez de divertidas. Da mesma forma, a trilha instrumental `engraçadinha` de John Ottman serve apenas para realçar a obviedade das piadinhas criadas pelos roteiristas, que atingem o fundo do poço na péssima montagem que tenta ilustrar o cotidiano dos quatro heróis.

Mas há algo ainda pior do que as pavorosas tentativas de humor: as seqüências `dramáticas` que procuram conferir tridimensionalidade aos protagonistas. Nestes momentos, os roteiristas entregam-se sem reservas aos clichês, como pode ser observado na cena em que Reed leva um ramalhete de flores para Sue apenas para jogá-lo no lixo ao perceber que seu rival enviou dezenas de buquês para a moça; ou no instante em que Ben revela sua aparência deformada para a noiva (que, diga-se de passagem, é uma idiota insensível e exibicionista que não hesita em sair às ruas durante a noite usando apenas baby-doll). É há, também, algumas cenas que, sinceramente, não sei dizer se apresentam propósitos dramáticos ou cômicos, como aquela em que Sue encontra um `álbum de memórias` estrategicamente `esquecido` por Reed em sua gaveta.

E quanto aos inúmeros furos do roteiro? Alguns destes podem até ser perdoados em função do próprio absurdo da trama: se estamos dispostos a aceitar que os heróis vão `para o espaço a fim de entenderem nosso DNA` (risos), então não podemos ser exigentes quanto ao fato de que partem para uma estação orbital sem passarem por treinamento algum. Por outro lado, o filme quebra as próprias regras ao estabelecer que os uniformes dos protagonistas podem acompanhar as mudanças corporais destes (já que também foram submetidos à radiação solar), somente para ignorar esta explicação ao permitir que os logotipos acrescentados posteriormente às roupas por Johnny também se transformem. E como Reed pode ter arranjado dinheiro para viabilizar suas pesquisas (incluindo a construção de uma complexa máquina) se, ao longo do primeiro ato, fica claro que ele está falido?

Habitado por uma galeria de personagens aborrecidos que se entregam a conversas imbecis recheadas de diálogos horrorosos (`Este é meu nariz, gênio. Estes são meus lábios.`), Quarteto Fantástico chega a ponto de criar uma cena cujo único propósito é mostrar a péssima Jessica Alba apenas de calcinha e sutiã, já que sua personagem tira a roupa em público para tentar furar, com sua invisibilidade, um bloqueio policial, mas acaba mudando de idéia. (Aliás, Sue Storm é uma destas cientistas jovens e de corpo escultural que, com seus infalíveis decotes, existem apenas nos filmes.)

E para que não digam que detestei tudo neste longa, faço questão de reconhecer a maquiagem projetada para o Coisa, que, além de resgatar com perfeição o visual dos quadrinhos, ainda permite que o ator Michael Chiklis utilize suas expressões faciais ao compor o personagem. Fora isso, afirmo com toda sinceridade que prefiro assistir novamente à versão podreira de Quarteto Fantástico produzida por Roger Corman em 1994 do que voltar a colocar os olhos sobre este desastre comandado por Tim Story. Ao menos, a versão de Corman se assumia como lixo.

Observação: No ano passado, fiz alguns comentários sobre a versão de 1994 em meu blog. Para acessar o post em questão, clique aqui.
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06 de Julho de 2005

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Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.

 

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