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Críticas por Pablo Villaça

Datas de Estreia: Nota:
Brasil Exterior Crítico Usuários
15/11/2001 07/09/2001 4 / 5 / 5
Distribuidora

Rock Star
Rock Star

Dirigido por Stephen Herek. Com: Mark Wahlberg, Jennifer Aniston, Dominic West, Timothy Spall, Timothy Olyphant, Jason Bonham, Jeff Pilson, Zakk Wylde, Jason Flemyng, Rachel Hunter e Dagmara Dominczyk.

Rock Star é uma fábula sobre um rapaz que, depois de passar vários anos como integrante de uma banda cover (ou `banda-tributo`, como ele gosta de dizer), é escolhido para substituir o vocalista do grupo que sempre admirou. Como não poderia deixar de ser, a trama acompanha sua trajetória de ilusões, descobertas, decepções e aprendizado – mas, infelizmente, em nenhum momento oferece algo que já não tenhamos visto em filmes recentes sobre bandas reais ou fictícias, como Quase Famosos, The Doors e The Wonders – O Sonho Não Acabou (só para citar alguns).

Por sorte, sua falta de originalidade é compensada por sua grande energia, que prende a atenção do público do início ao fim. Além disso, não há como negar que este tipo de história (`pessoa-comum-cujos-sonhos-são-realizados-como-num-passe-de-mágica`) possui um apelo quase universal, o que aumenta ainda mais o poder de atração do filme. Como se não bastasse, as seqüências que giram em torno das apresentações do Steel Dragons (a tal banda que contrata o jovem vocalista) são coreografadas maravilhosamente bem, provocando, no espectador, a sensação de estar realmente assistindo a um show. (Eu gostei particularmente da maneira com que o protagonista transforma em sucesso um constrangedor incidente, durante sua estréia.)

Dirigido por Stephen Herek (do ótimo Mr. Holland – Adorável Professor e do péssimo Santo Homem), Rock Star mergulha de cabeça no universo das estrelas de rock, mostrando que, com freqüência, a aparência de `rebeldia` e irreverência destes astros é mera fachada para atrair o interesse – e o dinheiro - dos fãs (algo que também funciona na contramão, como prova a `virgem` Britney Spears): a cena em que Chris (Wahlberg), ao ser chamado para um teste, vê a imagem de seu ídolo desmoronar na sua frente é eficaz neste sentido. O interessante é que, pouco depois, é o próprio rapaz quem assume uma nova identidade a fim de agradar aos fãs da banda, alterando seu comportamento, seu nome e até mesmo seu sotaque (na verdade, ele levava uma vida `caseira`, trabalhava em um escritório e contava com o auxílio dos pais para dar prosseguimento à sua carreira como músico. Em resumo: era o oposto do estereótipo do roqueiro `doidão`, o qual passou a seguir depois de famoso).

Aliás, o roteiro de John Stockwell é hábil ao ilustrar as mudanças vividas por seu herói através de um curioso (mas pouco sutil) jogo de reflexos: em vários momentos da história, Chris (ou Izzy, como passa a se chamar) vive experiências anteriormente protagonizadas por outros personagens: a cena em que ele vê um de seus fãs imitando-o é um bom exemplo. Além disso, o roteirista recheia o filme com diálogos eficientes e bem construídos, como no momento em que Chris é demitido de sua `banda-tributo` e sua namorada/empresária (Aniston) é convidada a permanecer como agente do grupo, respondendo: `A primeira regra deste negócio é ir até onde o talento está. E o único talento desta banda acabou de sair da sala`.

Jennifer Aniston, diga-se de passagem, compõe sua personagem de forma bastante sensível, provando possuir um grande alcance dramático (e, ao contrário de Matthew Perry em Meu Vizinho Mafioso, em nada lembra sua famosa criação da série Friends). Enquanto isso, Mark Wahlberg permanece um enigma para mim: apesar de interpretar exatamente o mesmo tipo em todos os seus filmes, este ator sempre consegue chamar a minha atenção graças ao seu carisma, o que não deixa de ser desconcertante. O elenco de Rock Star conta, ainda, com ótimas atuações dos britânicos Timothy Spall, como o empresário do Steel Dragon, e Dominic West, como o guitarrista da banda.

Stephen Herek, por sua vez, executa um bom trabalho ao conferir, ao filme, um certo tom de desespero e caos nas cenas em que Chris mergulha no estilo de vida de seus colegas famosos (em certo momento, o cineasta mostra o jovem acordando em um aposento que poderia perfeitamente estar situado no palácio de Calígula). Outra boa cena é aquela em que ele acompanha o vocalista nos bastidores daquele que será seu show de estréia, e faz com que o espectador enxergue a espantosa multidão a partir do ponto de vista do nervoso rapaz.

Abordando de forma envolvente um tema já tão explorado, Rock Star leva o público a questionar, ainda, se o protagonista da história está finalmente realizando suas fantasias ou se continua a viver os sonhos de outra pessoa, como se pudesse ter se tornado cover de si mesmo. Infelizmente, o roteiro erra ao tentar responder a esta pergunta através de uma reviravolta, no terceiro ato, que soa de maneira incrivelmente falsa e maniqueísta. Com isso, Stockwell entrega ao espectador uma resolução que não faz jus ao restante da trama. Neste sentido, o filme é como um grande show de rock cujo último número é um sucesso do pagode: depois de pular durante duas horas, você sai do espetáculo frustrado por não ter sentido vontade de pedir bis.
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17 de Novembro de 2001

Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.

 

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