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Críticas por Pablo Villaça

Datas de Estreia: Nota:
Brasil Exterior Crítico Usuários
16/07/2004 12/09/2003 4 / 5 / 5
Distribuidora

As Garotas do Calendário
Calendar Girls

Dirigido por Nigel Cole. Com: Helen Mirren, Julie Walters, Linda Bassett, Penelope Wilton, Annette Crosbie, Geraldine James, Celia Imrie, John Alderton, Ciarán Hinds, John-Paul Macleod, Philip Glenister.

Entre os vários subgêneros da comédia, há um que, apesar de poder parecer limitado à primeira vista, normalmente dá origem a produções extremamente divertidas e agradáveis: aquele que conta histórias situadas em pequenas cidades do interior (da Inglaterra, em particular). Entre os bons representantes deste subgênero estão O Barato de Grace, A Fortuna de Ned (que se passa na Irlanda) e Reviravolta (ambientado nos Estados Unidos), para citar apenas alguns exemplos. E agora, é claro, As Garotas do Calendário.

Escrito por Tim Firth e Juliette Towhidi a partir de acontecimentos verídicos, o filme gira em torno de um grupo de senhoras de meia-idade (ou mais velhas) que decide colaborar com o hospital de sua cidadezinha depois que o marido de uma delas morre em função de leucemia. Para arrecadar a quantia necessária, elas planejam lançar um calendário que trará, em cada mês, a foto de uma das integrantes do Instituto de Mulheres local. Mas há um detalhe: para atrair a atenção de todos e vender mais calendários, as animadas senhoras resolvem posar nuas - o que obviamente cria uma grande polêmica até mesmo entre as demais associadas do Instituto.

No entanto, ao contrário de Ou Tudo Ou Nada (outro ótimo exemplo do subgênero discutido no primeiro parágrafo), as protagonistas de As Garotas do Calendário não reservam sua nudez para o final - e o espectador não chega sequer a ficar na dúvida sobre a realização ou não das fotos. Em vez disso, boa parte do filme se concentra na repercussão da venda dos calendários e na reação das próprias personagens-título frente ao sucesso do empreendimento.

Explorando ao máximo o potencial da história, o cineasta Nigel Cole se revela a escolha ideal para comandar este que se tornou seu segundo longa-metragem; afinal, sua estréia na direção se deu justamente em O Barato de Grace, que, além do `cenário`, possui outra importante semelhança com relação a As Garotas do Calendário: ambos são sobre mulheres relativa ou totalmente reprimidas que, frente ao primeiro grande desafio de suas vidas, tomam atitudes nada usuais, abalando todos ao seu redor. E se você se lembra da cena, em O Barato de Grace, na qual duas velhinhas atendem um freguês em sua mercearia enquanto se encontram completamente drogadas, não irá estranhar o momento, neste novo filme, em que a organista de uma igreja anuncia para a amiga que posará nua enquanto toca uma música religiosa em meio à missa.

Aliás, esta é uma daquelas poucas comédias que fazem jus à definição, já que constantemente leva o espectador às gargalhadas ao fazer graça com a própria fleuma britânica (como no momento em que um senhor vê a foto da esposa nua no jornal e diz, formalmente: `Você está nua no Telegraph, querida. Passe o bacon, por favor.`) e ao adotar um humor ácido e sem barreiras (depois de perder os cabelos por causa da quimioterapia, o personagem de John Alderton é apelidado de Yul Brynner).

Encabeçando o excepcional elenco, vêm as talentosas Helen Mirren e Julie Walters, que cativam o público já em suas primeiras cenas, quando aparecem rindo dos absurdos temas das palestras ministradas no Instituto de Mulheres (a história do brócolis; os segredos da tapeçaria; e assim por diante). E, enquanto Walters destaca-se também ao retratar o sofrimento de sua personagem ao perder o marido, Mirren compõe Chris como uma mulher determinada e corajosa (apesar de um pouco mais impulsiva do que o ideal). Além disso, Mirren, mesmo estando quase três décadas distante de símbolos sexuais como Nicole Kidman ou Halle Berry, se revela uma mulher ainda charmosa e perfeitamente capaz de seduzir.

Ainda que perca o ritmo em alguns momentos e cometa o velho equívoco de acrescentar certas reviravoltas dramáticas ao longo dos dois últimos atos, As Garotas do Calendário é um filme imensamente simpático que, além de divertir, ainda se transforma em um verdadeiro manifesto de glorificação da sensualidade feminina - especialmente das mulheres mais `maduras`.

Taí outra cidadezinha do interior que ganhou seu próprio espaço entre tantas outras retratadas pelo Cinema.

``23 de Outubro de 2003

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Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.

 

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